O perfume CK One representa a ousadia de criar um perfume que rompe com as barreiras de género
Se algumas criações marcam a sua época pela opulência, outras conquistam a eternidade ao desafiarem os próprios dogmas da sociedade. O CK One da Calvin Klein exemplifica esta rutura com mestria. Trata-se de uma obra-prima que não só definiu a estética dos anos 90, como escreveu um novo capítulo na história da perfumaria ao popularizar, de forma global e democrática, o conceito de fragrância unissexo.
Lançado em 1994, o perfume nasceu da visão provocadora do estilista Calvin Klein e do talento de dois grandes mestres perfumistas: Alberto Morillas e Harry Fremont. Numa década marcada pela procura da autenticidade e pelo estilo grunge, a ambição era clara: criar uma fragrância sem género, sem preconceitos e sem artifícios, pensada para ser partilhada por todos, independentemente da sua identidade.
Uma composição sinfónica (e a frescura do chá verde)
A sua arquitetura aromática destaca-se por uma leveza revigorante e universal. Afastando-se dos aromas densos e ultra-masculinos ou femininos da década anterior, o CK One foi construído com base numa harmonia cítrica e transparente, que evoca a sensação imediata de um banho refrescante e de liberdade.
A abertura desperta os sentidos com a energia vibrante da lima, da bergamota e da mandarina, com toques frutados frescos de ananás e papaia, arredondados por uma nota verde e aquática de cortar a respiração.
No coração, o perfume revela o seu carácter diferenciador e inovador ao usar o chá verde como nota-assinatura, trazendo um efeito vegetal, relaxante e muito moderno, que se funde com a delicadeza floral do jasmim, da rosa, da violeta e um toque da noz-moscada, criando um bouquet abstrato, limpo, leve e inclusivo.
Na base, a composição ganha uma fixação suave, íntima, limpa e reconfortante: a profundidade do musk, a pureza do âmbar e a serenidade do sândalo e do musgo de carvalho deixam um rasto leve, que se funde com a pele de forma natural e fluída.
Mais do que um perfume
O CK One é frequentemente aclamado como a tradução olfativa da igualdade, da juventude e da simplicidade.
Não se limita a perfumar a pele; projeta um estilo de vida descontraído, urbano e autêntico, que se transformou num verdadeiro fenómeno sociocultural e numa das fragrâncias mais vendidas no mundo.
O design do seu frasco rompeu completamente com os padrões ostentosos do luxo tradicional. Inspirado nas garrafas de cantil de bolso ou nas garrafas de champanhe minimalistas, o frasco em vidro fosco opaco, com a sua tampa de rosca de alumínio e o borrifador fornecido à parte, tornou-se num símbolo de design industrial e num ícone do minimalismo.
Pequenos detalhes, grande legado
A origem do seu nome traduz perfeitamente a sua filosofia. O "One" (Um) simboliza a unidade, a união de diversidades e a ideia de que a fragrância pode ser usada por uma só comunidade global. Era um convite aberto para que qualquer pessoa fizesse daquele aroma a sua própria assinatura.
Curiosamente, a sua campanha publicitária original, fotografada por Steven Meisel e protagonizada por nomes como Kate Moss, tornou-se lendária. Com estéticas em preto e branco, sem maquilhagem carregada e com modelos de diferentes etnias e estilos reunidos numa atitude descontraída, a imagem do CK One capturou com perfeição a essência crua e autêntica da Geração X.
Os anos passam. A assinatura da Calvin Klein permanece.

A Escolha da Perfumista: histórias que o tempo transforma em ícones.