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Há uma questão importante que muitos clientes e amigos nos colocam: As vossas fragrâncias são químicas ou naturais?


Está muitas vezes implícito na pergunta que químico é algo mau e que natural é bom. Esta é uma generalização perigosa pois o veneno das cobras é “natural” e muitos medicamentos importantes são “químicos” 🙂


O importante é compreender que tudo na nossa existência na Terra é químico pois é composto por átomos/moléculas. O ar que respiramos é composto por azoto e oxigénio e as fragrâncias que tanto apreciamos são combinações de dezenas/centenas de moléculas que interagem com  nosso nariz. Estas moléculas podem ser fabricadas em laboratórios de investigação e desenvolvimento ou nos laboratórios vivos que são as plantas com a função de atrair insectos polinizadores e/ou afastar predadores. Mas para os perfumistas todos são ingredientes para criar sensações.


As matérias primas utilizadas na composição de perfumes podem ser de 3 tipos: naturais, naturais idênticas e sintéticas.
– As naturais são extraídas  directamente das plantas. Temos por ex. o óleo de pétala de rosa com preços a rondar 3000-5000 eur/kg.
– As naturais idênticas são a recriação do odor da fragrância natural utilizando componentes extraídos de outras plantas e moléculas fabricadas por processos industriais e que são idênticas às existentes nos óleos naturais. É desta forma que conseguimos um óleo de rosa que permite criar perfumes a preços ao alcance de todos e em quantidade suficiente para satisfazer a procura de mercado.
– As sintéticas são criadas em laboratório e não exixtem na natureza. Existem muitas moléculas que são extremamente difíceis/impossíveis de extrair das plantas. Há também odores que não existem na natureza mas que descobertos nos encantam o olfacto. Podemos referir como exemplo o couro, presente num dos perfumes mais antigos da casa de Guerlain e que continua a ser utilizado nos dias de hoje.


O perfumista utiliza sem preconceito as notas naturais, naturais idênticas e sintéticas como cores na sua paleta odorífera com as quais pinta as nossas memórias olfactivas.

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