Quem já não sentiu o aroma a chuva, principalmente num fim de tarde quente de verão, e se deleitou a inspirar aquele aroma fantástico? É a natureza no seu estado mais puro.
O aroma a chuva, também conhecido como “petrichor”, resulta de uma combinação de três fenômenos físico-químicos:
Por um lado, no período de clima quente, as plantas produzem os óleos essenciais muito aromáticos como forma de se protegerem contra a desidratação, doenças e predadores. Estes óleos, que são voláteis, evaporam-se e vão sendo absorvidos pelas rochas e solo circundantes; quando chove, estas fragrâncias, principalmente as mais leves e pequenas são libertadas no ar e arrastadas pela água da chuva;
Por outro lado, a libertação de compostos secretados por bactérias existentes no solo, nomeadamente o geosmin, que tem o aroma a terra e a mofo, sendo detectado no ar  pelo nosso nariz mesmo que em concentrações muito baixas.
Finalmente, a decomposição química de compostos que resultam em ozono: em dias de tempestade, as descargas eléctricas dos relâmpagos provocam a cisão da molécula do oxigénio  (O2)  em átomos de oxigénio (O), que por sua vez reagem com o outras moléculas de oxigénio (O2) formando assim o ozono (O3), que tem um odor agreste e metálico a fios queimados; o ozono formado é arrastado da alta atmosfera para junto do solo pelos ventos da tempestade, sendo o seu odor característico conhecido como prenúncio da chuva que aí vem.
Existe uma cidade na Índia chamada Kannauj, com uma longa tradição na indústria da perfumaria, onde extraem o aroma da chuva. O processo consiste em destilar a argila seca durante 6-7 horas, obtendo-se o “mitti attar” – o perfume da terra. Este deve ser guardado numa garrafa de couro chamada “kuppi” para preservar o seu aroma característico: quente, orgânico, mineral, rico. E assim conseguem capturar o cheiro da natureza. Neste caso a realidade ultrapassa a ficção, pois esta técnica ancestral, permite conseguir fazer o que o personagem “Grenouille” do livro O perfume de Patrick Suskind o tentou fazer mas sem sucesso.
Mais sobre este assunto: 
The Compound Interest, The Chemical Compounds Behind The Smell Of Rain
The Atlantic Global – Making perfume from the rain by Cynthia Barnett
 
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